Redacção
Paisagens fascinantes, património histórico, biodiversidade e rico em praias de água turquesa própria para a prática de mergulho: eis o Parque Nacional das Quirimbas. O parque conserva igualmente uma identidade étnica e cultural dos kimuani, um quarteto de línguas swahil, jawa, nyanga e macua, fazendo dela uma confluência inigualável. É uma das áreas fascinantes para o ecoturismo do mosaíco moçambicano.
Localizada nos distritos centrais da Província de Cabo Delgado, envolvendo uma área de cerca 7.506km2 dos quais 5.984km2 são habitats costeiros e marinhos. A parte marinha do parque contém 11 ilhas das 28 ilhas do Arquipélago das Quirimbas, das quais apenas quatro, designadamente, Ibo, Matemo, Quisiwe e Quirimba estão habitadas. As restantes ilhas são Quipaco, Mefundvo, Quilalea, Sencar, Quirambo, Fion e Rolas. O parque estende-se por cerca de 100 km de costa desde a foz do Rio Tari, passando pela Ponta do Diabo, até à vila de Mucojo, no Distrito de Macomia.
Diversidade marinha
O Parque contém uma diversidade de habitats marinhos numa área relativamente pequena.

Em relação à fauna marinha, este é conhecido pelas cinco espécies de tartarugas marinhas que visitam a área, mormente, tartaruga cabeçuda, verde, de bico ou falcão, tartaruga olivácea e coriácea.
É igualmente o habitat natural de dugongos, embora em menor escala, como também de baleias que podem ser avistadas nos meses Junho a Dezembro, para alimentarem e protegerem as suas crias. Relata-se a existência de algumas espécies de tubarões e raias. O Parque abriga cerca de 140 espécies de moluscos, alguns que são raros e em perigo.
O caranguejo-do-coqueiro, uma espécie rara e gigante, é considerada uma espécie extinta na maior parte da África Oriental, sendo protegida localmente pelas comunidades pesqueiras.
A extensão das ilhas de Rolas, Matemo, Ibo e no complexo de Quilalea e Sencar é uma zona marinha de protecção total.
Habitantes do PNQ

A ilhas Quirimbas têm uma forte ligação com os povos árabes, no comércio de escravos, os primeiros habitantes desta região. A região conheceu igualmente a presença de indianos no âmbito de trocas comerciais, sobretudo na troca de missangas por minerais preciosos. Mais tarde fixaram-se os ingleses e portugueses.
Entretanto, a população, tanto do Ibo como de Quissanga é de língua Kimuani (significa “língua falada por quatro povos”, swahil, jawa, nyanga e macua).
Os Muani habitam a costa e as ilhas; os Macuas habitam o sul e o ocidente do parque e, finalmente, os Macondes, habitam áreas a norte e ocidente do parque.
No interior do parque, na área dos montes-ilhas, na zona de Putho, existem dois locais históricos, nomeadamente, a montanha e o cemitério de Putho, este último local da batalha entre os exércitos alemão e britânico durante a Primeira Guerra Mundial.
O Parque Nacional das Quirimbas foi estabelecido em 2002 como forma de preservar a sua diversidade biológica.



