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Explore Niassa: turismo por detrás do terceiro maior lago africano

Niassa conserva o estatuto de ser a província mais extensa de Moçambique, e há quem a rotulou de ser uma das que ainda apresenta, talvez justificada pelas razões da sua extensão territorial, um crescimento económico ainda aquém de satisfazer os maiores interesses da população local. À luz das teorias económicas, é provável que se encontre alguma protecção científica para justificar este facto, e ainda bem que o Executivo Provincial vai envidando esforços, com o aguardado Fórum Económico e de Invenstimentos, em Abril próximo. Que este encontro sirva para alimentar a esperança do receio que um dia a renomada banda musical, Massukos (vocês se lembram?) teve afim de lhe dedicarem uma música intitulada “Niassa” e cuja parte do refrão diz isto: “Eu canto teu nome, Niassa! Não tenho nem vergonha de seres assim tão pobre, não tenho nem vergonha, de seres assim tão frágil.  Há muita gente que diz que esta pobreza nos levará ao esquecimento, pois estamos esquecidos! Outra gente diz   p´ra Niassa nunca mais quero voltar…!

Tudo gira à volta do Lago Niassa

O Lago Niassa é um refúgio paradisíaco com características peculiares e que encanta com as suas águas cristalinas. Tudo gravita em torno dele, razão porquê se confunde toda a província com o próprio Lago.

Desde os tempos imemoriais, o Lago Niassa afirmou-se como referência icônica do turismo para a região Austral de África. Os relatos de David Livingston, por exemplo, já o distinguiam como “Lago das Estrelas”, os de Valdez Santos, o tinham como “o Desconhecido Niassa” e mais tarde, Jorge Ferrão o considerou de “caixa de surpresas”, numa altura que Conceição Matende o designou de “joia ambiental e fonte de sustento para as populações”.  

A aparente convergência em percepções, reflecte-se também nos achados escritos de Rafael Langa que o equiparou com “um tesouro natural”, mostrando inequivocamente o o inestimável valor turístico assente neste lago e que adquire ênfase para quem o tem do lado moçambicano, o qual abrange os Distritos do Lago e Lichinga.

No vasto leque de escritos disponíveis, inexiste um que questione a limpidez da água do Lago Niassa para banho de praia, nem as propriedades curativas da areia, muito menos a sua textura no relaxamento, melhoramento da circulação sanguínea ou simples tonificação dos músculos. Curiosamente, todas as fontes consentem a magnificência deste lago, exuberante em espécies aquáticas, grande parte delas exclusivas deste habitat e outras completamente novas para a ciência.

No conjunto dos lagos africanos, Niassa é o 3º maior lago depois dos Lagos Victoria e Tanganyika, superado em volume apenas com Tanganyika que também supera os dois em termos de abrangência geográfica, por abarcar quatro nações (R. D. Congo, Tanzânia, Zâmbia e Burundi), diferentemente do Lago Victoria que abrange Tanzânia, Quênia e Uganda, a semelhança do Lago Niassa partilhado por Moçambique, Malawi e Tanzânia.

O Lago Niassa é bonito, lindo e limpo, mas também rico em biodiversidade aquática, como descrito em numerosas fontes. Porém, a sua singularidade para fins de turismo reside na combinação criteriosa da paisagem florestal com a lacustre que vai desvanecendo no olhar de cada visitante, enquanto o condutor desbrava a via, sobre paisagem pitoresca e invulgar perceptível nos últimos 6 km que cedem as Vilas de Meponda e Metangula, sendo este último destino avaliada por Jorge Ferrão como provedor de uma das mais agradáveis viagens no interior da província.

A turística Metangula

A Vila de Metangula, alcançável por via rodoviária, num percurso de 107 km contados a partir da Cidade de Lichinga, faz parte de um dos destinos com maior concentração de infra-estruturas de apoio ao turismo, eventualmente o mais pronto para o turismo dentro das fronteiras moçambicanas. Longe de ser a Costa Rica, nem a Nova Zelândia, Metangula revela-se como um destino com forte tendência de turismo responsável, socialmente aceitável e ecologicamente sustentável, visto na base das actuais projeções inovadoras introduzidas nas unidades hoteleiras com apoio do sector público que zela pelo turismo.

TRADIÇÃO E CULTURA

A quem diga que visitar Niassa sem apreciar o Lago Niassa é uma viagem incompleta e que não compensa, mesmo após uma escala ao Local Histórico de Matchedje ou ao monumento da Rainha Achivanjila, que distam a sensivelmente 250 km e 145 km da Cidade de Lichinga, respectivamente.

Como se pode perceber, não há escritor, nem principiante que tenha descrito o Lago Niassa, para cansar a mente do leitor. Tudo quanto foi possível relatar sobre este destino, comove a reler e, no olhar de leigos, parece tratar-se de único lugar no mundo, onde o homem ganha inspiração para escrever com a mais elevada criatividade humana.

Lago Niassa, proporciona uma vista excepcional, quase inalcançável, que gera um pôr-do-sol espetacular, o qual somente não é captado por aqueles que subestimam o valor da imagem, vezes omisso, mas que se vislumbra além da própria fotografia.

É, sim, a paisagem que mais encanta os visitantes. Todavia, a tradição local está entre as melhores justificativas imperdíveis numa visita ao Lago Niassa.  Entre os cenários que colam a mente do visitante, consta a partilha do tempo à beira do lago, em grupos de famílias e amigos, que apreciam o ambiente envolvente, repleto ora de pescadores, ora de mulheres e crianças lavando a louça em áreas distintas das reservadas para banho, segregadas por uma linha imaginária que gera privacidade baseada no sexo. Os agrupamentos de homens e mulheres nas margens do Lago Niassa, parece mais uma condição provida pela própria natureza, em lugares localmente denominados por Doko, distinguíveis por uma regra repulsiva que age no invisível, em benefício a privacidade.

Há também locais de interesse histórico imperdíveis em visitas agendadas fora ou dentro, quer dos festivas de danças tradicionais de N´ganda e Chiwoda que ocorrem anualmente em todas as aldeias entre os meses de Junho à Setembro, quer da época do Festival das Estrelas do Lago, com possíveis alterações para Novembro, dentro da bioluminescência que marcou a água durante a expedição de descoberta realizada por David Livingstone, cujo propósito é estimular o senso de comunidade praticante e beneficiária do turismo, em apoio a economia local. 

Basta uma vista paisagística sobre o Lago Niassa, para encerar a decisão de visita a outras áreas geográficas e dar início a uma busca minuciosa de acomodação na Residencial Mira Lago, Micala Lodge, Jasmine Bay Hotel & Spa ou na Massauko Service, com ou sem auxílio da Ushaka Travel, sediada na Cidade de Lichinga.

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